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Infância

1814

Tarás Chevchenko nasceu em 9 de março (25 de fevereiro) de 1814, na aldeia de Morêntsi, na família dos agricultores Hrehórii e Caterena Chevtchenko. Logo depois de seu nascimento, eles se mudaram para a aldeia de Kerelivka, onde Tarás passou toda a sua infância.
1814—1825
O pai trabalhava como servo carroceiro, transportando trigo de seu senhor a Odessa, Kiev e a outras cidades. Quando Tarás cresceu um pouco, o pai começou a levá-lo junto. Sobre uma dessas viagens, ele fala no seu poema “A empregada”.
Quando tinha 9 anos, Tarás perdeu a mãe. O pai, tendo ficado com filhos pequenos, teve que se casar com a viúva Oksana Terechtchenko, que tinha 3 filhos seus.
Logo depois, aos 11 anos, Tarás ficou órfão de pai também, ficando com a madrasta.
“Quem visse a madrasta mesmo de longe, ele, sem dúvida, via o inferno em sua festa macabra”
1822—1828
Quando a sua mãe ainda estava viva, ele estudava com o sacristão Pauló Ruban (Sovhêria). O menino havia aprendido rápido a ler e a escrever, e junto com isso, a desenhar – revelou-se um desenhista dotado. Tendo muita vontade de aprender a pintar, Tarás se viu obrigado a andar de aldeia em aldeia à procura de um professor que o ensinasse a pintar.

1828—1836
Na casa de Engel’hardt

1828—1831
“O senhor latifundiário Pauló Vasselévitch Engel’hadt, que apenas havia herdado o patrimônio de seu pai, gostou do menino esperto, e o estudante maltrapilho andante acabou de imediato sendo vestido de jaleco e calças de serviçal e posto na companhia dos lacaios”.
Tarás começou a servir como criado no patrimônio do senhor na aldeia de Vilchana. Mas logo, na primavera de 1869, Tarás é levado junto com a mudança do seu senhor para a cidade de Vilna, onde começa a repintar os quadros às escondidas, bem como a conhecer a língua e a literatura polonesa. Lá, em Vilna, Chevtchenko foi posto a estudar pintura no ateliê de Jan Rusten.
1831—1838
Tendo ficado em Vilna um pouco mais de um ano, o patrão de Chevtchenko mudou-se junto com os seus lacaios para Petersburgo, levando também Chevtchenko.

Percebendo o dom de pintura em Tarás, o senhor dele resolve colocá-lo no estúdio do pintor decorador Vassel Cheriaev. Com ele, Chevtchenko participa na decoração do Teatro Bolchói como desenhista aprendiz.

Em São Petersburgo, Chevtchenko trava conhecimento com o seu conterrâneo Ivan Sochenko. Lá também ele se encontra com K. Briullov, V. Jukovsky, V. Hrehoróvitch, O. Venetsianov, A. Mokrêtskei, que tiveram posteriormente um papel decisivo na libertação do poeta da servidão.

“Eu costumava passar as noites de verão em Petersburgo sempre nas ruas ou em qualquer lugar nas ilhas, mas na maioria das vezes na avenida acadêmica beira-mar. No verão, gostava também de ir ver o sol nascer na ponte Troítsky”.

1838
A alforria da servidão

“V. A. Jukovsky, tendo sabido de antemão o preço que o senhor latifundiário queria pelo resgate, pediu a K. P. Briullov que pintasse o retrato dele para a família da imperatriz, promovendo a rifa dele no meio da corte imperial. O grande Briullov aceitou de boa vontade. O retrato foi pintado. V. A. Jukovsky, com o apoio do conde M. Vielgorsky rifaram-no por 2.500 rublos, e com esse valor, foi resgatada a liberdade de Tarás Chevtchenko em 22 de abril de 1938”.
“Agora nem acredito em mim mesmo, mas isso foi realmente assim. Eu, um rude campônio, eu, um zé-ninguém sebento, voei para os salões encantados da Academia de Artes”.
Liberto da servidão, Chevtchenko começa a estudar na Academia Imperial das Artes, como aluno livre. Começa os estudos sob a direção de Karló Briullov, frequentando a rica biblioteca dele.
“Vivo, estudo, não me humilho diante de ninguém e não tenho medo de ninguém, fora Deus – ser um homem livre é uma grande felicidade, você faz o que quer, ninguém segura você”.

1838—1845
Os anos acadêmicos

1839—1843

Graças ao empenho pessoal insistente, Chevtchenko progride significativamente na pintura. Ele se torna um retratista maravilhoso e um mestre em pintura aquarelista, devido a seus sucessos nos estudos, é agraciado pela Academia com três medalhas de prata, em 1840, pelo quadro “O menino pobre que dá pão a um cachorro”, e em 1941, pelo quadro “A cigana sortista”. A primeira pintura pela qual Tarás Chevtchenko recebeu a medalha em 1939 não se conservou até os nossos dias.

Ao contrário dos outros estudantes da Academia, ele pinta nas suas obras pessoas do povo – uma moça serva, crianças, cigana e outras, tentando chamar atenção da sociedade para o povo oprimido.

“Eu comecei a pintar os retratos em aquarela, inicialmente, por amizade, mas depois também por dinheiro, mas por enquanto não os mostro a Karló Paulóvitch – tenho receio”.
Estudando pintura na Academia, Chevtchenko conhece a história da sua pátria, da Grécia, de Roma, as melhores obras dos escritores de vanguarda da Rússia – Puchkin, Lermontov, Gogol, lê obras de escritores ucranianos – Kotliarévskei, Kvitka-Osnovianenko e outros.

Ele conhece também obras famosas da literatura da Europa Ocidental, estuda francês, tudo isso eleva o nível político e cultural do poeta de modo significativo.

1840

No ano de 1840, veio a lume uma coletânea de poemas de Chevtchenko – “Kobzar”, com oito composições: “Minhas reflexões”, “Perebéndia” (trovador satírico), “Katerina”, “Topólia” (álamo), “Dumka” (pensamento), “Do Osnovianenka” (para o Osnovianenko), “Ivan Pidkova”, “Tarassova Nitch” (noite do Tarás).
“O autor do “Kobzar” enriqueceu a literatura com cores e tons inéditos, com um mundo de imagens e imaginações próprias do modo de viver e de pensar artístico do seu povo. A poesia de Chevtchenko sorveu as seivas energéticas do folclore ucraniano, a força, a riqueza e a nitidez da língua ucraniana”.
L. Novetchenko

1843—1847
Na querida Ucrânia

1843—1845

“No tempo da minha permanência... eu pintei muitas paisagens da natureza. Agora estou empenhado em publicar ‘A Ucrânia em quadros’. Compuseram a edição os seguintes assuntos: 1º - paisagens, 2° - a vida do povo, e, 3º - história”.
Em maio de 1843, Tarás Chevtchenko com Evhen Hrebinka partem para a Ucrânia. Viajando pelas aldeias e cidades, ele conversa com o povo, pinta uma série de paisagens e esboços.

No início de junho, ele viaja a Kiev e região, trava contatos com estudantes e intelectuais, faz pesquisas sobre monumentos históricos e culturais, anota canções folclóricas e tradições, pinta paisagens e arquitetura antiga.

No fim do verão, viaja pelo Sul da Ucrânia. Logo depois, em outubro, fixa-se em Iahoten, nas dependências do príncipe Mekola Riepin.

No fim de fevereiro de 1844, volta a Petersburgo, onde continua os seus estudos na Academia de Artes.

Ao concluir o curso na Academia de Artes em 1845, Chevtchenko obtém o documento que lhe dá o direito de viajar para a Ucrânia, para onde vai em fim de março. Em dezembro, o poeta já adoentado, compõe em Pereiaslav o seu famoso poema “Testamento”, em que conclama o povo com muita emoção para um levante armado.
“Sepultem-me e então se levantem, arrebentem os grilhões e com o sangue maldito do inimigo reguem a liberdade”.

1846—1847

Em maio de 1846, Tarás Chevtchenko se conhece com o historiador Mekola Kostomárov, um dos organizadores da Sociedade Cirilo e Metódio, e a partir de dezembro começa a participar das suas reuniões, onde lê aos membros da Sociedade os seus poemas revolucionários.

A Sociedade se compunha de estudantes e membros das Universidades de Kiev e de Khárkiv. Além de Kostomárov e de Chevtchenko, entre eles havia líderes, como H. Andrúzkei, V. Bilozérskei, M. Hulak, P. Kulich.

No dia 5 de abril de 1847, Chevtchenko foi preso na entrada de Kiev devido a uma denúncia e enviado a Petersburgo.

“Eu havia sido indicado para a Universidade de Kiev, e naquele mesmo dia quando recebi a indicação, eu fui preso”.

1847—1857
No exílio

1847—1850

“Mesmo que eu fosse um assassino, um sanguinário, penas piores era impossível inventar para mim do que me deportar para a Corporação Isolada de Oremburg como soldado. Augusto, um pagão, não tinha proibido Naso de escrever e de pintar tendo-o exilado no meio dos selvagens Getas. Mas Nicolau I, que é cristão, proibiu-me tanto uma quanto outra coisa. Ambos verdugos. Um deles, cristão.”
Dia 30 de maio de 1847, saiu a sentença imperial do seu exílio para a Corporação Isolada de Oremburg como soldado raso, “sob severa vigilância, com proibição de escrever e de pintar”. Ele ficou prestando o serviço na fortaleza de Orsk.

Apesar da vigilância severa, Chevtchenko pintou um autorretrato, continuou compondo poemas, anotando-os em cadernos pequenos “escondidos nos canos das botas”.

“Cadernos das botas” que Chevtchenko escondia nos canos, em que anotava os seus poemas no exílio.

1848— 1849

“Na linha reta do horizonte, mal, mal se ergue acima de um aterro comprido a caserna coberta de junco – era tudo o que havia em Raim. Quase toda a guarnição saiu para nos receber. Pálidos, deprimidos, fisionomias simplesmente como de prisioneiros. Isso me deixou apavorado”.
Em maio de 1848, Tarás Hrehoróvitch Chevtchenko foi incorporado como membro da expedição do contra-almirante Oleksíi Butakov. A expedição tinha por missão explorar e trazer um relatório científico sobre o mar de Aral. Durante a expedição, Chevtchenko pintou uma série de paisagens e continuou a trabalhar as suas composições literárias.

Em novembro de 1849, depois da longa travessia pelas estepes selvagens, o poeta chegou a Oremburg.

1850—1857

“Os soldados, nessa nossa terra ortodoxa, como tais, são uma classe coitada, lastimável. Arrancaram deles tudo o que de bom tem a vida: a família, a pátria, a liberdade, numa palavra, tudo”.
Por ter infringido a ordem do imperador que proibia a escrever e a pintar, Chevtchenko foi preso de novo e levado sob escolta ao forte de Orsk. Em 17 de outubro de 1850, Chevtchenko chegou à fortaleza de Novopetrovsk, para onde havia sido enviado. Em Novopetrovsk, ele passou 7 longos anos, até que os amigos dele conseguirem junto ao governo a sua libertação do exílio.
Durante o seu serviço militar no exílio, ele fez parte de uma expedição aos Montes Karatau, quando, apesar da proibição, pintou perto de 100 quadros. Em 1852, Tarás Chevtchenko começou a escrever em prosa, em russo. Logo depois, as suas condições de exilado foram amenizadas graças às relações amistosas com o novo comandante da fortaleza.

Em 1885, ele começa a se corresponder com o artista e vice-presidente da Academia de Artes Fyodor Tolstoy, tratando da sua libertação.

1857—1861

A volta do exílio

1857—1859

Dia 2 de agosto de 1857, num barquinho de pesca, Tarás Chevtchenko parte da fortaleza de Novopetrovsk para Astracã. E depois, de vapor, vai a Nêjnei Novhorod. Acompanha-o uma vigilância policial secreta. Em 1858, ele viaja para Moscou, e dali, para Petersburgo.
“Já estou em Novhorod, em liberdade – numa liberdade como um cachorro na corrente”.
A última viagem do gênio para a Ucrânia aconteceu no verão de 1859. Dia 15 de julho, Tarás Chevtchenko foi preso pela terceira vez, mas depois de averiguações, foi lhe permitido voltar a Petersburgo.
“Ele sempre era atraído para a sua querida Ucrânia, onde acabou passando o verão de 1859, procurando comprar um lotezinho de terra nas margens do rio Dnipró, numa colina, para ali viver seus últimos anos”.
P. Mêrnei
“E depois de uma década de exílio, Chevtchenko enfim voltou a Petersburgo, fisicamente acabado, mas não espiritualmente... Até naqueles anos terríveis, a sua musa não se calava...”
I. Frankó

1859—1861

Em janeiro de 1860, foi publicada a nova edição do “Kobzar”, acrescida de mais poesias. No início de setembro, saiu a resolução do Conselho da Academia de Artes, outorgando a Chevtchenko o título de acadêmico da gravura. Em janeiro de 1861, foi publicado o “Bukvar Iujnorrúskei” (Manual da Rus do Sul), elaborado por Tarás Chevtchenko.

1861

Os últimos dias

1861

“Assim que Tchernenko entrou na sala iluminada, o poeta, em vez dos cumprimentos normais, perguntou-lhe: ‘E daí?.. há? Há liberdade? Há manifesto? – e, olhando nos olhos de Tchernenko, entendeu a resposta... Suspirando fundo, disse: - Então, não há?.. Não há?.. E quando ela virá?!’ Tendo solto essa frase não impressa, Tarás cobriu os olhos com as mãos e, caindo na cama, chorou.”
O. Konêskei
Tendo adoecido gravemente em fins de 1860, Tarás Chevtchenko continuou trabalhando, correspondendo-se com os amigos, pintando.

Tarás Hrehoróvitch Chevtchenko deixou esta vida no dia 26 de fevereiro de 1861. O seu corpo foi sepultado no cemitério de Smolensk, em Petersburgo, mas depois, em vista do seu “Testamento”, seus restos mortais foram transladados para a Ucrânia.

Dia 10 de maio de 1861, perto da cidade de Kániv, no monte Tchernetcha Horá, Tarás Hrehoróvitch Chevtchenko foi sepultado.

“No quadragésimo dia depois da morte do poeta, antes do embarque do caixão para a Ucrânia, seus conterrâneos se reuniram junto a seu túmulo para a despedida... E o caixão foi coberto com uma manta vermelha que logo, debaixo da chuva com neve, escureceu, parecendo simbolizar que a sina da vida do menestrel do povo não havia sido das melhores.”
M. Tchálei

A contribuição imensurável de Tarás Hrehoróvitch Chevtchenko para a cultura mundial é reconhecida não só na Ucrânia, mas também fora dela: no mundo todo há mais de 1.200 monumentos a Chevtchenko, há cidades com seu nome, ruas, instituições de ensino, em sua homenagem produzem-se inúmeros filmes e apresentam-se peças teatrais.

Chevtchenko se tornou para sempre uma parte inseparável da história e da cultura do povo ucraniano.

 

Tradução:  http://shevchenko.ukrlib.com.ua/

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